Um tour pelo Alentejo, terra de sol, calor e vinho (bom)

O nome já explica a origem geográfica. Alentejo significa “além do rio Tejo”, para quem parte de Lisboa. Fica no sudeste de Portugal e ocupa um terço do território lusitano com 500 mil habitantes, que representam apenas 5% da população do país. A região dispõe de mais de 40 tipos de uvas.

De lá saem vinhos tintos concentrados, extraídos de taninos macios, muito corpo e alto teor alcoólico. São muito apreciados pelos brasileiros, daí ser o Brasil o principal mercado para os vinhos alentejanos. Antão Vaz é a uva branca mais afamada, junto com Arinto, Fernão Pires e Roupeiro. Já a tinta é baseada na Tinta Roriz/Tempranillo.

As colunas de granito do majestoso Templo de Diana, em Ã?vora

A rota dos vinhos do Alentejo começa por Évora, capital da província e cidade tombada pela Unesco como Patrimônio Histórico Mundial, graças às ruínas romanas, especialmente o majestoso Templo de Diana, que já abrigou um teatro e um matadouro e cujas colunas de granito são vistas em todos os antigos cartões-postais e atuais cliques instagramáveis.

Além de charmosas ruelas, a velha vila medieval reúne inúmeras atrações, como a Igreja de São Francisco com sua Capela dos Ossos e museu, uma grande universidade, bares e restaurantes, como o Fialho, de comida alentejana, que já foi considerado o melhor restaurante regional da Europa. Atualmente, uma abordagem moderna à cozinha tradicional alentejana é feita no Lombardo. Comece se deliciando com vieiras escoltadas de purê de batata-doce, crumble de croutons e legumes salteados antes de pedir lombo de garoupa com caldo de camarão. O chef João Lombardo, que dá nome à casa, gosta de harmonizar com um bom Bojador.

Um dos mais importantes vinhateiros portugueses, João Portugal Ramos, ao lado do filho, Vitor Hugo

Cerca de 40 quilômetros ao norte de Évora, chega-se a Estremoz, conhecida como “cidade branca” devido à extração de mármore branco usado em edificações medievais, como o Castelo de Estremoz e as muralhas do século 13 com quatro portas de entrada… de mármore. Lá, reina um dos mais importantes vinhateiros portugueses, João Portugal Ramos, que antes de fazer seus próprios vinhos foi enólogo nas principais regiões vinícolas do país. Para ele, “o vinho é a expressão de quem o produz e não fruto do acaso”. Fica na Adega Vila Santa, cuja arquitetura é típica alentejana, a sede do grupo que produz 4 mil garrafas ao ano. Lá se pode também almoçar uma refeição de três etapas (entrada, prato principal e sobremesa) por 65 euros acompanhada de vinhos.

Nas prateleiras, há muitas maravilhas, entre elas, Marquês de Borba, título pertencente a um antepassado de João Portugal Ramos, que se distinguiu pela sua enorme cultura e paixão pelas artes. “A mesma paixão que nos inspirou na criação deste vinho que procura dignificar todo o potencial vitivinícola do Alentejo”, destaca o rótulo da garrafa. Com o mesmo nome, há uma versão do vinho branco Marquês de Borba Vinhas Velhas, ambos por R$ 229 cada, na Porto a Porto, enquanto a versão Colheita sai por R$ 99.

Até vegano faz parte do portfólio com o nome de Pouca Roupa — são vinhos branco, rosé e tinto, concebidos para o público jovem para brindar os dias quentes do verão. Outra joia é o Duorum, resultado da parceria de dois conhecidos enólogos. “Esse foi feito no Douro com meu amigo de infância José Maria Soares Franco”, explica João Portugal Ramos, que acaba de replicar o rótulo para embalagem bag in box por 10,50 euros em Portugal.

Também está aberta à visitação a Adega de Borba. Mais antiga cooperativa do Alentejo, foi fundada por 12 viticultores da região e este ano está completando 70 anos. Atualmente, 270 associados cultivam uvas brancas e tintas, que resultam em 40 rótulos distintos, assinados pelo enólogo Oscar Gato. O Brasil está entre os cinco principais mercados da cooperativa.

Vinícolas do Alentejo A Fita Preta foi construída em um palácio muito procurado para cerimônias de casamento

A maior novidade, porém, está instalada num prédio construído no fim do século 14, a 15 minutos de Évora, que é o Paço do Morgado de Oliveira, totalmente reformado e arrendado pelo enólogo e consultor Antônio Maçanita e o sócio David Brook. Filho de pai açoriano e mãe alentejana, o lisboeta Maçanita escolheu o antigo palácio para instalar a vinícola Fita Preta, em meio a vinhedos cultivados há 60 anos.

Antônio Maçanita escolheu um antigo palácio para instalar a vinícola Fita Preta, em meio a vinhedos cultivados há 60 anos

Com queijos de produtores locais e presunto 100% bolota é servida a prova de sete vinhos com explicação sobre cada um. Imponente e considerado “dos sonhos” pelas agências, o local é muito usado para casamento. No início do ano, foi aberto ao público um restaurante dentro da antiga capela, lugar imponente e histórico que recebeu reis e rainhas. No cardápio essencialmente gourmet com entrada de cogumelos, espuma de abóbora e castanha-do-brasil, vem uma tábua de queijos de produtores locais. Destaque para os queijos amanteigado e curado feitos de leite de ovelha. Reservas no site www.antoniomacanita.com.

Cartuxa é uma das vinícolas mais populares de Portugal

Se há um ícone alentejano no mundo dos vinhos, esse se chama Pêra-Manca. Relativamente novo, foi lançado em 1990 e só houve até agora 14 safras. Bastante encorpado, complexo, com aromas de passas de frutas escuras e toque de madeira, apresenta 15,5% de álcool e é feito de duas uvas autóctones portuguesas: Trincadeira e Aragonez.

O nome do vinho vem da expressão pedra manca, que se refere a grandes seixos soltos encontrados no Alentejo. Solo característico da região árida e seca, ao contrário do norte, onde as terras são mais férteis e são chamadas de quintas. A expressão deriva da quinta parte que o produtor tinha de repassar ao governo, de quem havia recebida a terra. No sul, os beneficiários exigiram uma extensão maior do que normalmente tem as quintas, daí essas propriedades rurais terem sido chamadas herdades, e assim são denominadas até hoje.

O Pêra-Manca é ícone alentejano no mundo dos vinhos

O Pêra-Manca é produzido pela Adega Cartuxa, adquirida no século 19 pela família Eugênio de Almeida, que aumentou a área do antigo mosteiro. De lá saem, anualmente, cerca de quatro milhões de garrafas distribuídas pelas marcas Vinea Cartuxa, EA, Foral de Évora, Cartuxa, Scala Coeli e o lendário Pêra-Manca, vendido por 350 euros. Na Super Adega, o Pêra- Manca tinto safra 2018 custa R$ 4.690 a garrafa, enquanto o branco safra 2021 sai por R$ 899,90.

A Reynolds oferece almoço típico, que inclui borrego assado com batatas

De fácil execução, a cozinha alentejana tem proteínas deliciosas, entre elas, o porco preto e o borrego, assim chamado o animal da raça ovina até 12 meses de idade. Feito ao forno com batatas, é um prato substancioso que pede vinho tinto, coisa que a Reynolds Wine Growers dispõe feito de várias castas, entre elas, a francesa Alicante Bouchet, da qual foi pioneira, tornando-a “a casta estrangeira mais portuguesa de Portugal”, como se diz por lá.

Localizada no alto Alentejo, na região de Portoalegre, a vinícola Reynolds pertence à família de origem inglesa, que produz vinhos desde 1850. O top se chama Gloria Reynolds em homenagem à matriarca e é produzido apenas em anos de excelente safra. Você pode agendar uma visita com degustação de vinhos até com almoço típico, que começa com sopa de tomate, folhado de alheiras com abóbora, borrego assado com batatas e siricaia de sobremesa. Será servido num espaço rústico com lareira, onde os pratos se mantêm aquecidos pelo fogo.

A Reynolds tem origem em uma família inglesa

Ainda em Portoalegre, está a Adega Mayor, pertencente ao Grupo Nabeiro, dono da marca Delta Cafés, presente em 40 países, inclusive o Brasil. O plantio começou em 1997 em 180 hectares de vinhas distribuídos em três herdades. A vinícola leva a assinatura de um dos mais importantes arquitetos de Portugal, Siza Vieira, de 91 anos, que costuma dizer “Não quero ser consagrado, quero ter trabalho”.

Vale a pena a degustação dos bons vinhos, como Comendador e Caiado, acoplada à visita guiada. Do terraço panorâmico, pode-se observar os vinhedos, o olival e até a Espanha, que faz fronteira com o Alentejo.

Alguns dos melhores vinhos de Portugal são produzidos no Alentejo. Nem sempre foi assim. Durante o regime salazarista, a área foi destinada ao plantio de cereais, enquanto vinhedos eram arrancados. Ainda hoje a região, que é a maior do país, é essencialmente agrícola, com culturas de grãos, oliveiras e bosques de sobreiros — a árvore da cortiça, matéria-prima da rolha, da qual os portugueses são o principal produtor mundial.

A vitivinicultura começou a ser conhecida a partir de 1988 quando a região foi demarcada, embora lá já se produzisse vinhos muito antes. Segundo a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, a área plantada é de 21.970 hectares e conta com mais de 600 produtores, dos quais 651 são membros da CVRA, representando 58% da área total de vinhas da região.

Conservar a natureza com foco na adaptação às mudanças climáticas, incentivar práticas ambientais responsáveis na indústria do vinho, como reduzir o peso da garrafa de vidro e até mitigar os danos agrícolas provocados pelo pássaro migratório estorninho cinzento, que alterou a rota do norte da África para ficar mais tempo no clima cada vez mais quente do Alentejo estão entre os objetivos do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), lançado há 10 anos. “Esse programa é essencial para garantir a competitividade, a qualidade e a identidade dos vinhos, preservando recursos, apoiando os produtores e respondendo ao mercado”, afirma Tiago Caravana, diretor de marketing da CVRA.

Vinícolas do Alentejo A Herdade dos Grous foi comprada pela família alemã Pohl, que passou a produzir vinhos em 2004

Ave migratória de grande porte que voa sempre com o pescoço estendido, em longas travessias desde o norte da Europa para o norte da África, os grous procuravam descanso num ponto do Alentejo. A observação deu nome à Herdade dos Grous, propriedade comprada pela família alemã Pohl, que passou a produzir vinhos em 2004. Situada a 20 quilômetros de Beja, um dos três distritos do Alentejo (os outros dois são Évora e Portoalegre), a herdade de 1.050 hectares reúne produção de vinho e azeite, agropecuária, turismo rural e enoturismo.

Ela se distingue de outras também pelo conforto e pela comida oferecidos no hotel, onde os clientes poderão degustar azeite e vinho durante o menu. Quem responde pela vinificação é o premiado enólogo Luis Duarte, eleito três vezes enólogo do ano em Portugal.

Luis Duarte foi eleito três vezes enólogo do ano em Portugal

Um passeio de jipe ao longo de 800 hectares é a melhor forma de conhecer o ecossistema da Tapada de Coelheiros, em Arraiolos (distante 22 quilômetros de Évora), cuja história começa há 500 anos, quando a propriedade rural foi oferecida como dote de casamento a Dom Rui de Sousa, autor do Tratado de Tordesilhas. Em 2015, o brasileiro Alberto Wesser comprou a herdade e contratou o enólogo Luis Patrão para elaborar os vinhos. Wesser, que fala com sotaque por ter estudado em colégio alemão no Brasil, onde viveu até os 25 anos, atuou na indústria química Basf, na Alemanha, e foi presidente global da Bunge, em Nova York. “Teve um ano que dormi 90 noites dentro de um avião”, comenta.

Em busca de uma vida mais tranquila, o executivo aos 60 anos se encantou com o conjunto de vinhedos, ovelhas, olival e nogueiras, junto de uma floresta com gamos, veados, pássaros e morcegos no Alentejo. Daí oferecer programas de enoturismo, que finalizam com degustação de vinhos. “Nosso foco é a qualidade dos vinhos”, salienta Diogo Costeira, diretor da empresa, que exporta para o Brasil, Estados Unidos, Suíça e França.

Vinícolas do Alentejo A Mainova produz, desde 2044, vinhos e azeites com foco na sustentabilidade

Mainova é um projeto familiar localizado em Vimiero a 1h30 de Lisboa e meia hora de Évora, cujo nome se refere à filha mais nova da família que adquiriu a propriedade 15 anos atrás e passou a produzir

vinho e azeite há apenas quatro, conta Bárbara Monteiro, ela própria a homenageada, filha mais nova de três irmãs. Produz seis variedades de vinho – branco, tinto e rosé – , e duas de azeite, de forma sustentável. Alguns vêm em garrafas de vidro reciclado.

São produzidos de acordo com o regime biológico e integrado, o que resulta em pouca intervenção, baixos sulfurosos e majoritariamente veganos. Barbara, que define a adega como “galeria de fazer vinho”, organiza várias experiências degustativas, desde piquenique à sombra das oliveiras, algumas do tempo de Cristo com mais de 2.500 anos, até jantar com o renomado chef João Narigueta, dono do Híbrido, em Évora. Ele pertence a nova geração que busca renovar a tradição gastronômica com

foco na sustentabilidade e no respeito pelo produto.

Com adegas tão próximas umas das outras é possível se hospedar em Évora e visitar cada dia novas opções para conhecer o vinho alentejano. O Vila Galé Évora é uma alternativa. Pertence ao segundo maior grupo hoteleiro de Portugal e está presente no Brasil.

Santa Vitória é uma empresa do grupo hoteleiro, fundada em 2002, que produz vinhos e azeites de qualidade superior em Beja. No topo está o tinto Inevitável elaborado só em anos excepcionais. Os visitantes podem acompanhar toda a produção e terminar o dia com uma prova dos rótulos e azeites, quase todos disponíveis nas operações do grupo que somam 45 hotéis em Portugal, Brasil, Cuba e Espanha.

O próximo a ser inaugurado no Brasil é Vila Galé Collection Ouro Preto, em maio e em novembro, o Vila Galé Collection Amazônia em Belém do Pará. Para 2026, estão previstas mais quatro unidades, duas em Alagoas e duas no Maranhão, elevando para 17 o número de empreendimentos no país. É assim que o grupo lusitano compartilha o branco macio dos lençóis e toalhas servindo também aqui as melhores castas do Alentejo.

A jornalista viajou a convite da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana

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Carnaval Sustentável: saiba como curtir a folia sem prejudicar o meio ambiente

Carnaval Sustentável: saiba como curtir a folia sem prejudicar o meio ambiente (Com tantas belezas naturais, paisagens deslumbrantes e cenários que já são tradicionais do Carnaval brasileiro, o folião pode fazer sua parte ajudando na preservação ambiental. (Foto: Divulgação))

O Carnaval é um dos eventos mais esperados do ano, reunindo milhares de foliões em blocos de rua, festas e desfiles. No entanto, a celebração também pode gerar impactos ambientais significativos, como o excesso de lixo e o frequente uso materiais de difícil decomposição, como plásticos, por exemplo. É possível aliar diversão com sustentabilidade e a Agência de Notícias do Turismo listou algumas dicas para os mais de 53 milhões de foliões aproveitaram a festa de forma mais consciente, preservando sempre os nossos destinos.

LEIA TAMBÉM: Carnaval deve movimentar 6,64 milhões de passageiros nos principais aeroportos e rodoviárias do país

Com tantas belezas naturais, paisagens deslumbrantes e cenários que já são tradicionais do Carnaval brasileiro, o folião pode fazer sua parte ajudando na preservação ambiental. Para continuar brilhando sem culpa, escolha opções de glitter biodegradáveis feitas de celulose vegetal e que são mais facilmente dissolvidos na natureza.

Os copos descartáveis também são grandes vilões do meio ambiente, pois demoram centenas de anos para se decompor. Uma alternativa é levar seu próprio copo reutilizável, que pode ser usado durante toda a festa, reduzindo a produção de lixo plástico. Bebidas enlatadas também são uma opção mais sustentável, já que grande parte desse material pode ser reciclado e ainda gera uma economia verde.

Outra dica é que em vez de comprar fantasias novas, reaproveite roupas antigas ou crie novas combinações com peças que você já tem em casa. E vale garimpar em brechós ou trocar figurinos com amigos. Evite distribuir confetes de papel laminado ou plástico, que são difíceis de recolher e ainda podem acabar entupindo bueiros ou ir pararem em rios e mares. Se quiser manter a tradição, opte por confetes de papel reciclado ou até mesmo as folhas secas picadas.

LEIA TAMBÉM: Camarote da Folia: Shopping Cidade em BH oferece um oásis em pleno Carnaval

Os deslocamentos também podem ser mais sustentáveis. Prefira transporte público, bicicleta ou caronas compartilhadas para reduzir a emissão de poluentes e evitar congestionamentos.

Com pequenas atitudes, é possível curtir o Carnaval sem prejudicar o meio ambiente. A diversão pode (e deve!) caminhar lado a lado com a responsabilidade ambiental. Vamos juntos fazer um Carnaval mais verde e consciente!

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Carnaval Sustentável: saiba como curtir a folia sem prejudicar o meio ambiente

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5 anos da pandemia de covid-19: quatro legados positivos do ‘maior experimento psicológico da história’

“O maior experimento psicológico da história.”

Estávamos em 2020, e foi assim que a então professora de psicologia da saúde da Universidade Vrije de Bruxelas, Elke Van Hoof, descreveu o confinamento resultante da pandemia de covid-19.

Em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, a especialista em estresse e trauma se referia a uma medida sem precedentes que, naquele momento, se espalhava pelo mundo, mantendo 2,6 bilhões de pessoas sob alguma forma de isolamento em nível global.

Cinco anos se passaram desde aquela quarta-feira, 11 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a covid-19 uma pandemia.

Desde então, segundo dados da OMS, o vírus Sars-CoV-2, causador da doença, provocou mais de 777 milhões de infecções e matou mais de 7 milhões de pessoas, embora os especialistas da organização estimem que as mortes associadas à pandemia cheguem a 15 milhões.

Os inúmeros e profundos impactos negativos desta pandemia ainda estão sendo sentidos no mundo todo.

No entanto, alguns analistas destacam que esse momento tão sombrio também resultou em lições positivas. A BBC destaca quatro delas.

1. O valor da ciência e os avanços revolucionários das vacinas

Demorou apenas nove meses para os cientistas encontrarem uma vacina eficaz para combater o Sars-Cov-2. E eles fizeram isso por meio de um método que revolucionou o desenvolvimento de imunizantes em todo o mundo.

Embora o uso de RNA mensageiro sintético já viesse sendo estudado como um mecanismo eficaz para o desenvolvimento de vacinas há anos, foi a pandemia de covid-19 que realmente acelerou seu desenvolvimento.

Tanto a Pfizer, em parceria com a BioNtech, quanto a Moderna utilizaram esse mecanismo para criar suas vacinas em tempo recorde, permitindo que milhões de pessoas recebessem doses ao redor do mundo.

Em 8 de dezembro de 2020, Margaret Keenan, uma mulher de 90 anos do Reino Unido, se tornou a primeira pessoa a receber uma dose aprovada da vacina fabricada pela Pfizer/BioNTech.

Os cientistas Katalin Karikó e Drew Weissman, criadores desta fórmula, receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 2023.

A corrida para encontrar uma vacina que imunizasse a população e evitasse mais mortes é um dos maiores legados positivos da pandemia, de acordo com a porta-voz da OMS, Margaret Harris.

“Testemunhamos avanços tecnológicos em uma velocidade incrível”, diz a especialista em saúde pública à BBC News Mundo.

“A tecnologia do RNA mensageiro já era conhecida, mas agora estamos vendo como está sendo usada para desenvolver outros avanços, incluindo vacinas contra o câncer.”

Ela vai além: “Entendemos que a ciência é fundamental.”

Os cientistas Katalin Karikó e Drew Weissman receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 2023 por suas contribuições para o desenvolvimento de vacinas durante a pandemia

Devi Sridhar, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e autora do livro Preventable: How a Pandemic Changed the World & How to Stop the Next One (“Evitável: Como uma pandemia mudou o mundo e como impedir a próxima”, em tradução livre), destaca que as lições da pandemia tiveram um impacto na melhor detecção e identificação de novos surtos.

“Nossa capacidade científica melhorou, nossas plataformas estão cada vez mais avançadas. Se a pergunta que tínhamos no início da pandemia era se haveria vacina, a pergunta agora é: com que rapidez poderemos produzir uma”, afirma.

A colaboração conjunta dos países para o desenvolvimento destas vacinas e o direcionamento de recursos para este processo permitiu, segundo Sridhar, uma das coisas mais positivas resultantes da covid-19.

Além disso, há ensinamentos que nos permitem estar mais bem preparados para a próxima pandemia, diz ela. Por exemplo, os países que “parecem ter se saído melhor foram aqueles com populações mais saudáveis antes da pandemia”.

O método de RNA mensageiro sintético revolucionou a produção de imunizantes após a pandemia

Em março de 2020, o microbiologista Ignacio López-Goñi, da Universidade de Navarra, na Espanha, foi um dos primeiros cientistas a ousar apontar que poderia haver aspectos positivos relacionados à pandemia emergente.

“A pandemia de gripe de 1918 causou mais de 25 milhões de mortes em menos de 25 semanas. Será que algo semelhante poderia voltar a acontecer hoje em dia? Como podemos ver, muito provavelmente não”, disse ele na época.

Cinco anos depois, o acadêmico continua vendo o copo meio cheio, especialmente do ponto de vista científico.

“Fizemos muitos avanços. O vírus causador da covid-19 é o mais publicado de todos os tempos, o mais estudado de todos os patógenos infecciosos, mais do que o causador da malária, da Aids ou qualquer outro”, afirma.

2. Um ‘novo despertar’ na educação

O impacto catastrófico que o fechamento de escolas teve devido à pandemia em todo o mundo e, em particular, na América Latina, está bem documentado.

De acordo com Mercedes Mateo, chefe da Divisão de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), uma das marcas mais profundas deixadas pela pandemia é o aumento das taxas de evasão escolar e o atraso na aprendizagem, principalmente no ensino fundamental e médio.

No entanto, ela ressalta que esta experiência também proporcionou oportunidades excepcionais para o mundo educacional.

“Houve realmente um impacto muito positivo que levou o debate sobre educação para o século 21, que serviu para repensar os sistemas educacionais”, disse ela à BBC.

Um avanço evidente é que durante e após a pandemia, ficou para trás o paradigma do ensino presencial e da sala de aula exclusivamente como um espaço físico e estático.

“Durante a pandemia, ficou claro que o setor da educação era um dos setores menos digitalizados”, afirma Mateo.

Ela diz, inclusive, que havia uma certa demonização e resistência à digitalização de processos e práticas, mas que a covid-19 abriu o caminho para uma educação mais híbrida e flexível.

O fechamento de escolas impôs desafios enormes, mas também serviu para repensar os sistemas educacionais

“O fato de as salas de aula terem sido fechadas fez com que a educação passasse a ter maior prioridade na agenda política após a pandemia. Consolidou-se a ideia de manter o serviço educacional diante de qualquer circunstância”, observa Mateo.

Por outro lado, Sridhar não tem certeza de que, diante de uma nova pandemia, os governos tomem uma decisão diferente em relação ao fechamento de escolas.

“Há o conhecimento teórico dos danos causados ??pelo fechamento das escolas, mas há também o prático: como fazer com que os pais enviem os filhos para a escola sabendo que eles podem ficar doentes”, afirma.

Mateo destaca, por sua vez, que há agora uma maior consciência sobre o papel da escola nas nossas sociedades.

Na sua opinião, ficou demonstrado que a escola é muito mais do que um lugar onde as crianças e os jovens vão para aprender: é um espaço de apoio emocional, social e psicológico e, em muitos casos, também oferece serviços essenciais, como alimentação.

3. Recuperação e mudança de paradigma no trabalho

A aniquilação de empregos foi uma das graves consequências da covid-19, e a região da América Latina e do Caribe foi uma das mais atingidas.

A pandemia também aumentou as disparidades na participação de jovens e mulheres no mercado de trabalho — um dos maiores desafios restantes.

Mas, no geral, os especialistas observam que, embora ainda haja muito avanço a ser feito, os impactos da pandemia no mercado de trabalho tiveram uma recuperação relativamente rápida, considerando os níveis de crescimento econômico nos últimos cinco anos.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que as taxas de emprego e desemprego na região conseguiram voltar aos níveis pré-pandemia em 2023, ou seja, apenas oito trimestres após o início do período de recuperação, quando os lockdowns e as restrições de circulação permitiram aos trabalhadores retornar aos seus empregos ou, no caso daqueles que o haviam perdido, se reintegrar ao mercado de trabalho.

E, embora inicialmente a recuperação tenha respondido fortemente à retomada de empregos informais, essa proporção vem diminuindo nos últimos anos.

O trabalho remoto veio para ficar em muitos setores

Para Gerson Martínez, especialista em economia do trabalho do Escritório Regional da OIT para a América Latina e o Caribe, há várias lições positivas da pandemia no âmbito do trabalho.

Uma delas é que as políticas de proteção ao emprego e à renda que foram implementadas permitiram amortecer o golpe, e influenciaram positivamente a recuperação acelerada observada principalmente em 2021 na região, seguindo a tendência observada na média global.

“Essa é uma boa notícia porque nos diz que essas medidas, e esta é uma importante lição aprendida para a nossa região, permitiram que a recuperação fosse quase total”, disse ele à BBC News Mundo.

Além disso, para a OIT, o mercado tem conseguido manter uma certa estabilidade na região. “Esperamos que essa resiliência se mantenha, pois acreditamos que isso se deve justamente ao fato de que se reconheceu a necessidade de instituições trabalhistas fortes, e essa também é uma lição deixada pela pandemia.”

Mesmo assim, em 2025, a OIT alertou em seu último relatório que essa recuperação vem perdendo força, se olharmos para o cenário global, diante de ameaças como “tensões geopolíticas, o aumento dos custos das mudanças climáticas e problemas de dívida não resolvidos”.

Na América Latina, o mercado de trabalho se recuperou rapidamente durante os primeiros meses após o fim dos lockdowns

Mas talvez a mudança mais evidente introduzida pela pandemia tenha sido o trabalho remoto e o trabalho híbrido em setores que antes só tinham contratos presenciais.

Embora as evidências até agora tenham indicado que o impacto positivo do trabalho remoto na produtividade depende fundamentalmente da natureza desse trabalho (e de outros fatores relacionados às condições dos funcionários), e empresas no mundo todo estejam atualmente tentando voltar ao trabalho presencial, a experiência da pandemia trouxe mudanças.

Muitos países avançaram em legislações sobre o trabalho remoto para, por exemplo, incluir maior flexibilidade em alguns setores.

Uma mudança significativa no mercado de trabalho também resultou dos aplicativos de entrega, como Uber Eats e Rappi, entre outros, que abriram novos postos de trabalho, mas continuam sendo um desafio em termos de precarização e proteção trabalhista.

A revolução tecnológica da pandemia também representa, de acordo com Martínez, uma “oportunidade de ouro” para continuar a usá-la a favor da produtividade do mercado. Por exemplo, com a inteligência artificial, que, segundo ele, em vez de ameaçar os empregos, pode otimizar os processos e a eficiência de diferentes setores.

4. A importância de cuidar da saúde mental

A pandemia foi um golpe para a saúde mental da humanidade. Não apenas entre aqueles que perderam entes queridos ou para as equipes médicas que viram centenas de pessoas morrerem diariamente por causa do vírus.

O confinamento, a incerteza, a solidão, o medo e a angústia que se espalharam pelo mundo tornaram a pandemia um cenário traumático por si só.

Agências como a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) elaboraram relatórios detalhados sobre o aumento de transtornos de depressão e de ansiedade e da prevalência de comportamentos e pensamentos suicidas com a pandemia.

Para a psicóloga e escritora Laura Rojas-Marcos, especialista em ansiedade, estresse e depressão, “a pandemia teve um impacto não apenas no nosso dia a dia, mas também na nossa memória emocional e na maneira como nos relacionamos. Foi um momento decisivo, não apenas de sofrimento, mas também de aprendizado”.

“Hoje há mais consciência sobre a importância de cuidar da saúde mental, que não é algo separado do corpo, mas algo que caminha completamente junto”, diz ela.

“Algumas pessoas, eu diria que muitas, aproveitaram a oportunidade para fazer uma reflexão sobre a vida, e aprenderam a valorizar outras pessoas, seu ambiente e até mesmo sua própria existência.”

Usar máscaras ao ar livre: uma ‘normalidade’ que já não é tão normal

Um estudo encomendado pelo Serviço Mundial da BBC à GlobeScan constatou, em 2022, que 36% das pessoas entrevistadas em 30 países ao redor do mundo disseram que se sentiam melhor do que antes da pandemia.

“Muitos afirmaram que passar mais tempo com a família e ter uma conexão melhor com a comunidade e a natureza teve um efeito positivo, e que eles tinham mais clareza sobre suas prioridades gerais na vida”, informou a BBC em outubro daquele ano.

Outro aspecto positivo em termos de saúde mental, como destacaram organizações como a Opas, “foi que estimulou a adoção de abordagens inovadoras, como o atendimento remoto à saúde mental”.

Isso provocou uma mudança radical na forma como os psicólogos oferecem terapias de vários tipos atualmente.

Essa flexibilidade, de fato, permitiu que Rojas-Marco ajudasse pessoas que, de outra forma, não teriam acesso à terapia.

Ele se conectou, por exemplo, com soldados ucranianos que precisavam de apoio em meio à guerra com a Rússia, e com pacientes em áreas remotas, onde a oferta de espaços como estes é mínima.

Voluntários do Plano de Solidariedade do Panamá transportando sacolas com alimentos para famílias de baixa renda

De acordo com a experiência de Rojas-Marcos e o intercâmbio que ela mantém com colegas de todo o mundo, são percebidos níveis mais altos de tolerância à frustração e capacidade de adaptabilidade.

A pandemia também nos ensinou sobre resiliência e compaixão humana, duas questões que, de acordo com a especialista, estão no cerne da nossa natureza.

Os gestos de solidariedade foram um afago em meio a uma tragédia rotulada como “o maior experimento psicológico da história”.

Para Margaret Harris, porta-voz da OMS, nós “vimos o melhor da humanidade” na pandemia.

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Não há registro de pesquisas que apontem 95% de aprovação de Alexandre de Moraes; post é de página satírica

Investigado por: Alma Preta.

Sátira: O Comprova não encontrou registros de pesquisas que apontem apoio quase unânime dos brasileiros ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como alega uma postagem no X. O post verificado foi publicado por uma página de humor que não cita as fontes da afirmação.

Conteúdo investigado: Publicação em página de humor anuncia supostas pesquisas que revelam apoio de 95% dos brasileiros ao ministro Alexandre de Moraes e à prisão de Jair Bolsonaro.

Onde foi publicado: X.

Conclusão do Comprova: Não há registros de pesquisas que apontem apoio quase unânime dos brasileiros ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Os levantamentos mais recentes envolvendo o magistrado são de 2024 e nenhum deles mostra avaliação predominantemente positiva do trabalho do jurista.

Embora a informação não apareça para quem vê apenas o post, ele foi publicado por uma página de humor que se autodenomina um “portal de notícias isento de verdade”. No caso do tuíte verificado, os comentários evidenciam que parte dos leitores não compreendeu que se tratava de uma sátira ou meme. Em resposta à publicação, um internauta questionou o perfil sobre a fonte da pesquisa. A resposta, em tom de piada, mostra que não há veracidade na afirmação.

Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, entre 3 e 4 de setembro de 2024, revelou que a imagem de Moraes era vista como positiva por 47% dos entrevistados e como negativa por 52%. Meses antes, em março de 2024, o Instituto Datafolha pediu aos brasileiros que avaliassem a atuação do ministro à frente dos processos sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Nesse caso, 37% aprovaram o trabalho do jurista, enquanto 33% desaprovaram e 24% o classificaram como regular.

Portanto, não há evidências que indiquem a existência de uma pesquisa que aponte quase 95% de aprovação do ministro. Além disso, o conteúdo investigado menciona que a mesma porcentagem da população brasileira seria a favor da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também não foi possível atestar a veracidade dessa alegação.

Existem levantamentos que avaliam a percepção dos brasileiros sobre o inquérito que indica a participação de Bolsonaro em uma tentativa de golpe de Estado, mas nenhum aponta o resultado compartilhado pelo perfil de humor. Uma pesquisa da AtlasIntel, realizada em fevereiro deste ano, revelou que 52,5% dos entrevistados acreditam que o ex-presidente deve ser preso, enquanto 27,2% defendem a anistia e 17,7% acreditam que ele deve ser julgado em liberdade.

Como o post investigado foi compartilhado por uma página de humor e não foi possível encontrar pesquisas verídicas que apresentem tais resultados, classificamos o conteúdo como sátira.

O Comprova entrou em contato com o autor da publicação, mas não obteve respostas até a publicação deste texto.

Sátira, para o Comprova, é o meme, paródia ou imitação publicada com intuito de fazer humor. O Comprova verifica conteúdos satíricos quando percebe que há pessoas tomando-os por verdadeiros ou quando circulam por outros meios sem a identificação de conteúdo humorístico feita pelo autor.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até o dia 6 de março, a publicação tinha alcançado 110 mil visualizações.

Fontes que consultamos: Consulta por pesquisas de opinião sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes na mídia profissional e busca pelo perfil responsável pela publicação.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Moraes é alvo de diversos conteúdos de desinformação nas redes sociais. O Estadão Verifica já investigou, por exemplo, ser falso que Elon Musk tenha descoberto mansões do ministro nos EUA avaliadas em US$ 43 milhões. No Comprova, já foi publicado que imagem de Alexandre de Moraes com boné da USAID foi gerada por IA e também que vídeo satírico de Lula pedindo votos para Bolsonaro em 2026 foi gerado por IA.

Notas da comunidade: Até a publicação desta verificação, não havia notas da comunidade publicadas junto ao post no X.

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Florestas tropicais, uma lenta adaptação às mudanças climáticas

As florestas tropicais, vitais para a regulação do clima mundial e para preservação da biodiversidade, enfrentam sérios desafios de adaptação às mudanças climáticas. Um estudo publicado, na revista Science, revela que as florestas tropicais das Américas não estão se ajustando às alterações climáticas no mesmo ritmo em que elas acontecem, o que levanta sérias preocupações sobre sua resiliência a longo prazo. A pesquisa multidisciplinar envolveu mais de 100 cientistas, incluindo estudiosos brasileiros, com o objetivo de analisar dados de 415 parcelas florestais que se estendem do México ao sul do Brasil.

Ao avaliar mais de 250 mil árvores, os pesquisadores analisaram como diferentes espécies têm respondido às mudanças de temperatura e padrões de chuva nas últimas décadas. O estudo mostrou que, embora o clima esteja mudando rapidamente, as florestas tropicais não estão acompanhando esse ritmo, o que pode comprometer a capacidade de adaptação e aumentar a vulnerabilidade.

O estudo revelou que as diferentes espécies de árvores reagem de formas distintas. Algumas mostram uma adaptação bem-sucedida, enquanto outras estão lutando para sobreviver. Fatores, como a espessura das folhas, a densidade da madeira e a capacidade de tolerar a seca influenciam diretamente nessa resiliência. Aquelas com maior resistência a mudanças climáticas, como as que são mais tolerantes à seca ou com folhagem mais grossa, têm mais chances de prosperar diante do aquecimento global.

Diferenças

Além disso, os cientistas verificaram que as florestas, localizadas em regiões de maior altitude, estão se adaptando mais rapidamente do que as matas de planície. A maior variabilidade climática nessas áreas elevadas parece ser um fator que acelera o processo de adaptação, contrastando com as áreas planas, onde o ajuste é mais lento.

Outro aspecto identificado na pesquisa foi que as árvores mais jovens apresentam mudanças mais visíveis em resposta às variações climáticas. No entanto, a composição geral da floresta permanece praticamente inalterada. Esse fenômeno indica que, embora algumas modificações possam estar ocorrendo individualmente de cada espécime da vegetação, o impacto geral nas florestas ainda é pequeno e insuficiente para garantir adaptação a longo prazo.

Conforme Simone Vieira, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coautora da pesquisa, para planejar o futuro, é preciso saber o que está acontecendo no presente e como as florestas da América do Sul respondem às mudanças climáticas. “O clima está mudando. A gente observa um aumento na temperatura e uma mudança no padrão de precipitação. Não só no padrão, mas temos previsões que indicam que, por exemplo, até 2100, teremos uma diminuição de 20% na precipitação, com um aumento de até 4°C na temperatura”, afirmou ao Correio.

“Estamos provocando mudanças e esperávamos que a composição das espécies mudasse mais rapidamente, ou que as características das espécies mudassem. Mas o que estamos observando é que essa velocidade de mudança está sendo bem lenta. Uma grande parte das árvores, têm mais de 200, 300, ou até mais de mil anos. Então, essa estrutura e comunidade se estabeleceram há muito tempo, e as mudanças ocorrerão de forma lenta. Estamos observando isso com nossos dados: a mudança está sendo muito lenta”, completou a especialista.

Desafios na Amazônia

A professora Beatriz Marimon, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), ressaltou os problemas que acometem as florestas tropicais, especialmente na Amazônia. “Em algumas partes na Amazônia, estamos enfrentando uma combinação de fogo, calor e seca, o que coloca a floresta sob grande pressão. Entender quais espécies podem sobreviver a essas ameaças é essencial para garantir um futuro sustentável para esses ecossistemas e para o planeta”, afirmou.

O estudo reforça a urgência de ações mais eficazes para apoiar a resiliência das florestas tropicais diante das mudanças climáticas. A preservação dessas florestas não é apenas crucial para a biodiversidade, mas também para a estabilidade climática global, e os resultados apontam para a necessidade de intensificar os esforços de pesquisa e conservação para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas.

Jesús Aguirre-Gutiérrez do Environmental Change Institute (ECI) da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e líder da pesquisa, enfatizou a importância de entender as características das árvores que estão prosperando e das que estão enfrentando dificuldades. “Se soubermos quais espécies de árvores estão indo melhor ou pior, e quais características elas têm, saberemos o que elas podem suportar. Isso ajudará a informar quais ações de conservação devem ser priorizadas e onde os recursos financeiros devem ser alocados”, ressaltou. Os autores destacaram que a pesquisa pode fornecer informações para orientar os esforços de conservação. Ao observar as árvores que sobreviveram e as que não resistiram às mudanças climáticas, os cientistas podem identificar quais características são mais eficazes para lidar com o novo clima e definir estratégias de conservação.

“As florestas tropicais sempre foram vistas como amortecedores naturais das mudanças climáticas, mas o estudo nos mostra que elas estão perdendo essa capacidade. O ritmo acelerado do aquecimento global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis, está criando um descompasso entre a resiliência das árvores e as novas condições climáticas. A lentidão na adaptação das florestas tropicais significa que veremos um aumento na mortalidade das árvores e uma redução na sua capacidade de absorver carbono, agravando ainda mais a crise climática. O estudo revela um efeito dominó perigoso: com temperaturas mais altas e menos chuva, algumas espécies não conseguem mais sobreviver, o que afeta toda a estrutura das florestas. É um ciclo vicioso.”

Vinícius Nora, Biólogo, gerente de operações do Instituto Internacional ARAYARA

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Florestas tropicais, uma lenta adaptação às mudanças climáticas

As florestas tropicais, vitais para a regulação do clima mundial e para preservação da biodiversidade, enfrentam sérios desafios de adaptação às mudanças climáticas. Um estudo publicado, na revista Science, revela que as florestas tropicais das Américas não estão se ajustando às alterações climáticas no mesmo ritmo em que elas acontecem, o que levanta sérias preocupações sobre sua resiliência a longo prazo. A pesquisa multidisciplinar envolveu mais de 100 cientistas, incluindo estudiosos brasileiros, com o objetivo de analisar dados de 415 parcelas florestais que se estendem do México ao sul do Brasil.

Ao avaliar mais de 250 mil árvores, os pesquisadores analisaram como diferentes espécies têm respondido às mudanças de temperatura e padrões de chuva nas últimas décadas. O estudo mostrou que, embora o clima esteja mudando rapidamente, as florestas tropicais não estão acompanhando esse ritmo, o que pode comprometer a capacidade de adaptação e aumentar a vulnerabilidade.

O estudo revelou que as diferentes espécies de árvores reagem de formas distintas. Algumas mostram uma adaptação bem-sucedida, enquanto outras estão lutando para sobreviver. Fatores, como a espessura das folhas, a densidade da madeira e a capacidade de tolerar a seca influenciam diretamente nessa resiliência. Aquelas com maior resistência a mudanças climáticas, como as que são mais tolerantes à seca ou com folhagem mais grossa, têm mais chances de prosperar diante do aquecimento global.

Diferenças

Além disso, os cientistas verificaram que as florestas, localizadas em regiões de maior altitude, estão se adaptando mais rapidamente do que as matas de planície. A maior variabilidade climática nessas áreas elevadas parece ser um fator que acelera o processo de adaptação, contrastando com as áreas planas, onde o ajuste é mais lento.

Outro aspecto identificado na pesquisa foi que as árvores mais jovens apresentam mudanças mais visíveis em resposta às variações climáticas. No entanto, a composição geral da floresta permanece praticamente inalterada. Esse fenômeno indica que, embora algumas modificações possam estar ocorrendo individualmente de cada espécime da vegetação, o impacto geral nas florestas ainda é pequeno e insuficiente para garantir adaptação a longo prazo.

Conforme Simone Vieira, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coautora da pesquisa, para planejar o futuro, é preciso saber o que está acontecendo no presente e como as florestas da América do Sul respondem às mudanças climáticas. “O clima está mudando. A gente observa um aumento na temperatura e uma mudança no padrão de precipitação. Não só no padrão, mas temos previsões que indicam que, por exemplo, até 2100, teremos uma diminuição de 20% na precipitação, com um aumento de até 4°C na temperatura”, afirmou ao Correio.

“Estamos provocando mudanças e esperávamos que a composição das espécies mudasse mais rapidamente, ou que as características das espécies mudassem. Mas o que estamos observando é que essa velocidade de mudança está sendo bem lenta. Uma grande parte das árvores, têm mais de 200, 300, ou até mais de mil anos. Então, essa estrutura e comunidade se estabeleceram há muito tempo, e as mudanças ocorrerão de forma lenta. Estamos observando isso com nossos dados: a mudança está sendo muito lenta”, completou a especialista.

Desafios na Amazônia

A professora Beatriz Marimon, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), ressaltou os problemas que acometem as florestas tropicais, especialmente na Amazônia. “Em algumas partes na Amazônia, estamos enfrentando uma combinação de fogo, calor e seca, o que coloca a floresta sob grande pressão. Entender quais espécies podem sobreviver a essas ameaças é essencial para garantir um futuro sustentável para esses ecossistemas e para o planeta”, afirmou.

O estudo reforça a urgência de ações mais eficazes para apoiar a resiliência das florestas tropicais diante das mudanças climáticas. A preservação dessas florestas não é apenas crucial para a biodiversidade, mas também para a estabilidade climática global, e os resultados apontam para a necessidade de intensificar os esforços de pesquisa e conservação para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas.

Jesús Aguirre-Gutiérrez do Environmental Change Institute (ECI) da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e líder da pesquisa, enfatizou a importância de entender as características das árvores que estão prosperando e das que estão enfrentando dificuldades. “Se soubermos quais espécies de árvores estão indo melhor ou pior, e quais características elas têm, saberemos o que elas podem suportar. Isso ajudará a informar quais ações de conservação devem ser priorizadas e onde os recursos financeiros devem ser alocados”, ressaltou. Os autores destacaram que a pesquisa pode fornecer informações para orientar os esforços de conservação. Ao observar as árvores que sobreviveram e as que não resistiram às mudanças climáticas, os cientistas podem identificar quais características são mais eficazes para lidar com o novo clima e definir estratégias de conservação.

“As florestas tropicais sempre foram vistas como amortecedores naturais das mudanças climáticas, mas o estudo nos mostra que elas estão perdendo essa capacidade. O ritmo acelerado do aquecimento global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis, está criando um descompasso entre a resiliência das árvores e as novas condições climáticas. A lentidão na adaptação das florestas tropicais significa que veremos um aumento na mortalidade das árvores e uma redução na sua capacidade de absorver carbono, agravando ainda mais a crise climática. O estudo revela um efeito dominó perigoso: com temperaturas mais altas e menos chuva, algumas espécies não conseguem mais sobreviver, o que afeta toda a estrutura das florestas. É um ciclo vicioso.”

Vinícius Nora, Biólogo, gerente de operações do Instituto Internacional ARAYARA

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Lula, Ramaphosa e Pedro Sánchez defendem multilateralismo em artigo

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cyril Ramaphosa, da África do Sul, e Pedro Sánchez, da Espanha, defenderam o respeito ao multilateralismo em artigo conjunto publicado nesta quinta-feira (6/3).

Eles criticaram o crescente isolamento entre os países, e argumentaram que as soluções para problemas como a desigualdade, a crise climática e os conflitos entre países só serão encontradas em conjunto.

“A confiança no multilateralismo está sob tensão; e, no entanto, nunca houve tanta necessidade de diálogo e cooperação global. É preciso reafirmar que o multilateralismo, quando se reveste de ambição e se orienta à ação, continua sendo o veículo mais efetivo para abordar desafios compartilhados e avançar em áreas de interesse comum”, escreveram os presidentes.

O texto foi publicado em diversos veículos da imprensa mundial, como O Globo, o jornal francês Le Grand Continent, e a emissora árabe Al Jazeera.

No artigo, os presidentes defendem que é preciso combater o movimento crescente pelo isolamento e rupturas entre os países, e afirmam que três eventos internacionais darão oportunidade para fortalecer o multilateralismo neste ano.

São eles a 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FfD4), em Sevilha, na Espanha, a 30ª Conferência das Partes (COP 30), em Belém, e a Cúpula do G20, em Joanesburgo, África do Sul. O artigo defende que os encontros não podem ser “mais do mesmo”, mas entregar avanços reais.

“O mundo está cada vez mais fragmentado, e é exatamente por essa razão que devemos redobrar os esforços para encontrar uma base comum. Joanesburgo, Belém e Sevilha precisam servir como bastiões da cooperação multilateral, demonstrando que as nações são capazes de se unir em torno de interesses comuns”, escreveram os presidentes.

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2025 será um ano decisivo para o multilateralismo. Os desafios que se apresentam diante de nós — desigualdades crescentes, mudanças climáticas e o déficit de financiamento para o desenvolvimento sustentável — são urgentes e estão interconectados. É preciso tomar ações coordenadas e corajosas para abordá-los — e não recuar ao isolamento, a ações unilaterais ou a rupturas.

Três grandes encontros oferecerão uma oportunidade única de estabelecer um caminho em direção a um mundo mais justo, inclusivo e sustentável: a 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FfD4), em Sevilha, (Espanha); a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), em Belém (Brasil); e a Cúpula do G20, em Joanesburgo (África do Sul). Essas reuniões não podem ser apenas mais-do-mesmo, elas precisam entregar progressos reais.

Um momento multilateral que não podemos desperdiçar

A confiança no multilateralismo está sob tensão; e, no entanto, nunca houve tanta necessidade de diálogo e cooperação global. É preciso reafirmar que o multilateralismo, quando se reveste de ambição e se orienta à ação, continua sendo o veículo mais efetivo para abordar desafios compartilhados e avançar em áreas de interesse comum. Precisamos consolidar os sucessos do multilateralismo, especialmente a Agenda 2030 e o Acordo de Paris. O G20, a COP30 e o FfD4 devem servir como marcos de um compromisso renovado com a inclusão, o desenvolvimento sustentável e a prosperidade compartilhada. Isso exigirá forte vontade política, a plena participação de todos os atores relevantes, uma mentalidade criativa e a habilidade de compreender os condicionantes e as prioridades de todas as economias.

Abordar a desigualdade por meio de uma arquitetura financeira renovada

As desigualdades de renda vêm aumentando — tanto no âmbito interno das nações como entre elas. Muitos países em desenvolvimento sofrem com o peso insustentável de dívidas, espaços limitados de ação fiscal e barreiras que dificultam o acesso justo ao capital. Serviços básicos, como saúde e educação, têm de competir com taxas de juros crescentes. Trata-se não apenas de uma falha moral; mas de um risco econômico para todos. A arquitetura financeira global precisa ser reformada a fim de dar mais voz e representatividade aos países do Sul Global, assim como acesso mais justo e previsível a recursos.

É preciso avançar nas iniciativas de alívio da dívida, promover mecanismos de financiamento inovadores e identificar e abordar as causas do alto custo do capital para a maioria dos países em desenvolvimento. O G20, sob a presidência da África do Sul, está priorizando essas três áreas. Ao mesmo tempo, a reunião do FfD4, em Sevilha, será um momento decisivo para assegurar compromissos em direção a uma cooperação financeira internacional mais robusta para o desenvolvimento sustentável, incluindo o aprimoramento da taxação da riqueza global e externalidades negativas, a melhoria das estratégias de mobilização de recursos domésticos e uma canalização mais impactante e efetiva dos Direitos Especiais de Saque.

Financiar transições justas em direção a um desenvolvimento limpo e com resiliência climática

Para muitos países em desenvolvimento, uma transição climática justa permanece fora de alcance devido à falta de fundos e a desafios ao desenvolvimento. Isso precisa mudar. Na COP30, em Belém, uma cúpula realizada no coração da Amazônia, será preciso assegurar que nossos compromissos de financiamento climático sejam traduzidos em ações concretas.

O sucesso da COP30 dependerá da nossa capacidade de reduzir a distância entre promessas e resultados. Sob a Convenção da mudança do clima, os pilares fundamentais para a COP30 incluirão as submissões, por todas as partes, de novas e ambiciosas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o Roteiro Baku-Belém, que estabelece o aumento do financiamento da ação climática aos países em desenvolvimento, de todas as fontes públicas e privadas, para ao menos USD 1,3 trilhão por ano até 2025. Precisamos aumentar significativamente o financiamento para a adaptação climática, alavancar os investimentos do setor privado e assegurar que os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento assumam um papel mais relevante no financiamento climático. A conferência de Sevilha complementará esses esforços, assegurando que o financiamento climático não prejudique o desenvolvimento.

Uma resposta global e inclusiva às ameaças globais

O mundo está cada vez mais fragmentado, e é exatamente por essa razão que devemos redobrar os esforços para encontrar uma base comum. Joanesburgo, Belém e Sevilha precisam servir como bastiões da cooperação multilateral, demonstrando que as nações são capazes de se unir em torno de interesses comuns.Em Sevilha, trabalharemos no sentido de mobilizar capital público e privado para o desenvolvimento sustentável, reconhecendo a inseparável relação entre estabilidade financeira e ação climática. Em Joanesburgo, o G20 reafirmará a importância de um crescimento econômico inclusivo. E, em Belém, estaremos lado a lado para proteger o nosso planeta.Ao vislumbrarmos 2025, conclamamos a todas as nações, instituições internacionais, setor privado e sociedade civil a se colocarem à altura desse momento. O multilateralismo é capaz e precisa gerar resultados — porque os riscos são muito altos para permitirmos o fracasso.

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Mais de 3 mil cientistas pedem expulsão de Musk à Royal Society britânica

A prestigiada instituição britânica Royal Society se reúne nesta segunda-feira (3) após uma petição assinada por mais de 3 mil cientistas, entre eles vários prêmios Nobel, para exigir a expulsão de Elon Musk de suas fileiras.

A instituição foi fundada em 1660 e conta com 1.800 membros de todo o mundo, entre eles 85 ganhadores do Prêmio Nobel, e à qual pertenceram nomes como Isaac Newton, Charles Darwin, Albert Einstein e Stephen Hawking.

A admissão de Elon Musk na instituição ocorreu em 2018, por seu trabalho nos setores espacial e de veículos elétricos.

A petição, publicada em fevereiro, alega que o magnata da tecnologia, proprietário de X, Space X e Tesla, violou o código de conduta da Royal Society ao promover “teorias da conspiração infundadas”.

A instituição se reúne na noite desta segunda a portas fechadas, sem estar claro se poderia tomar alguma ação contra Musk.

Em comunicado à AFP, a sociedade indicou que “qualquer problema apresentado com respeito aos membros individuais é tratado com extrema confidencialidade”.

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Elon Musk é “amplamente considerado um dos difusores mais ativos de notícias falsas” em sua plataforma X, afirma Stephen Curry, professor emérito de biologia estrutural no Imperial College de Londres e autor da carta.

“Espero que hoje os membros tenham a sabedoria e a coragem de demonstrar que a Royal Society pode defender publicamente os seus valores”, escreveu Curry nesta segunda na rede social Bluesky.

Geoffrey Hinton, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2024 e considerado um dos pais da IA, expressou no domingo, em seu perfil no X, apoio à expulsão de Musk.

“Não porque ele venda teorias de conspiração e faça saudações nazistas, mas pelo enorme dano que está fazendo às instituições científicas nos Estados Unidos”, apontou Hinton.

Musk não tardou a responder Hinton. “Só os idiotas, covardes e inseguros se importam com prêmios e associações. A história é a verdadeira juíza, sempre. Seus comentários são ignorantes, cruéis e falsos”, afirmou nesta segunda no X.

Os signatários do pedido dizem que as mudanças que Musk fez na rede social X provocaram aumento da desinformação.

Além disso, alega que o bilionário de 53 anos utiliza reiteradamente o seu próprio perfil na rede social para difundir falsidades ou afirmações inexatas sobre Covid-19, vacinas e problemas cardíacos.

“Não se trata de controlar as opiniões políticas”, esclarece Stephen Curry, destacando que a integridade científica e o respeito pelas evidências e a verdade estão no código de conduta da Royal Society.

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